quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Um belo lugar..pensamentos viajantes
Enfim, o dia estava magnífico, pelo menos para se ir a uma cachoeira.Calor, amigos, vontade a pino.Tínhamos que atravessar uma mata, bem fechada, que incitava as nossas mentes a temer, mas eu não senti medo.Não sei se não senti porque estava com meus amigos, ou não senti por estar seguindo uma trilha, ou ainda por simplesmente me sentir bem naquele lugar.Mas o interessante é que não senti.Após algum tempo de caminhada – e alguns tombos, devo acrescentar – nós chegamos a uma cachoeira, eu tinha visto aquela magnífica obra da natureza uma outra vez. Linda, não era um lugar bom para se nadar ou algo do tipo,chamava a atenção pela energia. Eu não sou do tipo esotérico nem nada, mas todas as pessoas conseguem sentir as energias do mundo, sejam elas quais forem, acho que isso é um traço natural dos humanos, da maioria. De alguma forma, quando eu me sentei de frente a ela, o vento provocado pela sua queda em meu rosto, a água rolando pelo meu corpo imerso, o barulho que conduz a paz, ao silêncio interior. Naquele instante eu me senti parte de algo, me senti parte de alguma coisa que trabalhava para me proteger, não necessariamente me segurando e me poupando as feridas, mas apenas me acolhendo.Acolhendo minhas dores, meus pensamentos, minhas inseguranças, meus amores perdidos, meu coração por completo, me aceitando como um todo, até porque não parecia difícil fazê-lo, pois simplesmente não importava. O simples fato de uma gota cair me provocava risos, o simples soprar do vento me trazia paz, e o simples fato de estar com alguém me fazia sentir amado. Não sei explicar ao certo o que aconteceu, mas foi uma sensação única, talvez somente eu possa senti-la, talvez esteja me precipitando sobre as minhas opiniões. Mas a verdade é que não me importo, não ligo se minha razão diz o contrario daquilo que senti. A razão não pôde destruir isso, e por mais que a gente pense que ela seja a melhor coisa, aquilo que nos difere dos animais, eu tenho que discordar.Ela nos transforma em coisas piores, não em relação à natureza somente, mas em relação a nós mesmos.
Nós voltamos as nossas casas, o dia foi embora, a sensação ainda permanece em mim, e a cachoeira permanece lá, não espera por ninguém, mas também não ignora quem está disposto a ver sua beleza. É simples assim, como tudo na vida deveria ser.
Bom....os pensamentos sairam confusos. Com o tempo eu melhoro.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Laços
“Olha pra mim”
Sim, adentre a minha alma.
“Você já sabe”
Sabe que já está aqui dentro.
Uma marca em minha alma
Um traço de seu coração
Pousado sobre as linhas curvas do meu.
“Quando você chorar”
Suas lágrimas serão sentidas
Gota a gota escorrendo pra mim
“Eu vou estar aqui pra te abraçar”
Abraçar a sua dor
Compartilhar de suas alegrias
“Palavras nem sempre vão adiantar”
Seu coração já diz pra mim
“Amor, jamais deixarei você”
Estarei em sua vida
Estará na minha
Pelos laços do amor.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Um não sei....

Sentei-me em frente a essa máquina de escrever, é, quanto tempo eu não mexia nessa velharia, era um bloqueio constante e o computador estava mais atraente.Um universo dentro de uma máquina, é uma invenção que deve ser apreciada, até que ela te enjoe, isso é lógico. A fumaça do cigarro invade minhas narinas, preenchem meus pulmões, ela tem cheiro de doença, mas eu nem me importo.Logo a minha frente uma cama, ela está preenchida do meu amor, o que acabei de oferecer a uma mulher, a conheci algumas horas atrás, mas o que importa? Entrego-me com vontade e pulo fora rápido. Ela é muito bela, amassa os lençóis com vigor de um animal. Uma das melhores que conheci, já estive com muitas... Um vasto guardado de sentimentos e experiências, não que eu seja velho, apenas tive mais oportunidades de experimentar as coisas desse mundo.
Lá fora chove, a água escorre pelo vidro da janela, isso faz o quarto parecer mais aconchegante, isso me amedronta.Ela ainda está lá, na cama, enrolada em lençóis brancos e amassados, os cabelos desarrumados, contudo incrivelmente lindos, como se os defeitos a enfeitassem da mesma forma.O cheiro de uísque ainda persiste em sua boca, agradeço por não ter medo de bebida, tive até mesmo coragem de beijá-la de manhã. Meus dedos pressionam as teclas da máquina, mecanicamente, pois minha mente está nela, meus olhos ainda não a deixaram, estou revezando os olhares e ela simplesmente não vê isso, não que eu queira muito, talvez fosse legal. Acabei meu cigarro, não fedi a roupa com esse triste aroma, estou nu.Estou rindo das minhas frases, rindo ainda mais do nada que estou escrevendo, apenas senti vontade de colocar coisas no papel, não sei o que houve!......
Sei sim, ela.
Fiquei olhando a máquina por um tempo, pensando sobre o que eu estava fazendo sentado à frente dela, eu já sabia, melhor, eu sei. Na verdade, eu não gostaria de assumir, é muito assustador, apesar da fragilidade do assunto ele me amedronta mais do que a morte que o cigarro possa causar.A chuva ainda não parou, ainda há aquele clima de aconchego no ar do meu quarto, o barulho nostálgico da máquina de escrever aumenta ainda mais esse sentimento.Ela se moveu três vezes, fez uns barulhos estranhos enquanto se mexia, eu não agüentaria viver com ela o resto da minha vida se ela fizer esses barulhos sempre. Será? Droga! As idéias estão pulando dos meus dedos, só tomarei conhecimento do que escrevi depois que parar e ler o texto. Acho que vou voltar para a cama, está convidativa. Mas talvez eu fique olhando até para ver quando ela vai acordar, saio antes que ela perceba e ficará tudo bem. Ela está se esticando na cama, são movimentos sedutores.........droga, vou para a cozinha !.......Não sei o motivo pelo qual escrevi isso....
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
O fim.

O cavalo andava vagaroso, altivo, parecia perceber a vitória que tivera, ele também fazia parte dela.Os olhos negros fitavam o horizonte que enegrecia, parecia anunciá-la para todos os cantos.Ela trazia consigo a dor, a coragem tremia diante dela, muitos acharam que eram mais fortes, mas eram tolos, todos são antes de enfrentá-la.
Os passos ficavam mais lentos, findavam. O suspense do silêncio tomava o ar ao redor dela.O pé descalço tocou o solo encharcado de sangue.Cada centímetro colorido pelos resquícios da guerra, corpos inertes, olhares vazios de morte ao céu.Ela não se importava, apenas tinha um trabalho a fazer.O vestido cobriu seus pés, caiu por sobre a terra rubra. Os cabelos escuros foram movidos por uma brisa de anunciação, fria, sem sentimento, vazia, as chamas pareciam brotar em meio os espaços dos fios. Séria, sem expressão, uma estátua com movimentos, andou em direção a ele, sim, ele não tinha nome, tinha apenas destino.A linha fina e frágil da vida humana ainda fluía dele para as mãos das fiandeiras.Inspirou o ar banhado a sangue e podridão de corpos em decomposição.Ergueu a mão com a espada, o metal nem ao menos reluzia, o sangue de outros ainda estavam cobrindo a frieza do material. Nenhum grito, nenhum suspiro, apenas o silêncio, até que a espada chegasse no novelo dele e findasse com o fio.Era o fim.O último, o final, o objetivo.Nada de bradar aos ventos a isso, não tinha que cantar seus feitos, era apenas trabalho.
Quanto a ele.
Ele acabara de ver a doce morte, sentir o metal acalentador de sofrimentos, ouvir o último suspiro.A negra imagem parou em meio aquele lugar, observou seus feitos, não sabia se deveria se orgulhar ou se deveria se rebelar, então apenas observou, viu a ela mesma em todos os cantos. Sentiu o sabor de ser o fim.